Metodismo - Rio Grande do Sul

                            GRUPOS  SOCIETÁRIOS

    Os Grupos Societários, Sua História e

                           Sua Tragetória

                                                       

                            No

                                  

                      Rio  Grande do  Sul

                     1900 - 1990

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         SOCIEDADE  METODISTA  DE  MULHERES

 

         As MULHERES foram as primeiras a se organizarem em sociedade na Igreja Metodista no Rio Gande do Sul.  A primeira a ser organizada foi na Igreja Metodista Central de Porto Alegre, em outubro de 1903, com o objetivo principal de levantar fundos para a compra de um terreno e edificação do templo.  Denominava-se  SOCIEDADE AUXILIADORA DE SENHORAS.

             Com o mesmo objetivo é organizada, em dezembro de 1904, a Sociedade Auxiliadora de Senhoras da igreja Metodista Institucional, em Porto Alegre.

              Em 1923, as Sociedades Auxiliadoras de Senhoras, no Rio Grande do Sul, mudaram o nome para SOCIEDADE MISSIONÁRIA DE SENHORAS, e, ao mesmo tempo, é organizada as SOCIEDADE MISSIONÁRIA DE MOÇAS, ambas tendo o mesmo objetivo: o cultivo espiritual, ajuda aos necessitados e participação ativa na ação da igreja, partaicularmente no setor financeiro. 

              Em 1930, por ocasião da Autonomia da Igreja Metodista do Brasil, haviam, no Rio Grande do Sul, 26 Sociedades Missionárias de Senhoras e 8 de Moças, com um total de 1316 sócias.  Nessa oporatunidade, 1930, as Sociedades Missionárias de Senhoras passaram a ser denominadas SOCIEDADES METODISTAS DE SENHORAS, e desaparecem as Sociedades Auxiliadoras de Moças, que passam a integrar as SOCIEDADES METODISTAS DE JOVENS.

            As Sociedades Metodistas de Senhoras hoje denominam-se SOCIEDADES METODISTAS DE MULHERES. Alcançaram o seu apogeu no ano de 1960, com 56 sociedades e 1950 sócias.

            A revista VOZ MISSIONARIA, orgão oficial das Sociedades Metodista de Mulheres, foi muito difundida aqui no Rio Grande do Sul, tendo alcançado mais de dez mil assinaturas anuais na década de 1960.  Atualmente, 1990, não chegam a mil assinaturas.

 

         SOCIEDADE   METODISTA  DE  HOMENS

 

          Os HOMENS só começaram a se organizar em sociedades no final da década de 1930.  Tanto que a Federação das Sociedades Metodistas de Homens, aqui no Rio Grande doSul, só se organizou em 1940.  Iniciou com 3 sociedades e um total de 42 sócios.  Alcançou seu apogeu em 1960 com 25 sociedades e 687 sócios.

            A razão do surgimento tardio  das Sociedades Metodistas de Homens e seu pouco desenvolvimento, no entender do autor destas linhas, deve-se, em parte, aos seguintes fatores:

1. A administração das igrejas locais era realizada, em grande parte, pelos homens: Guias Leigos, Superintendes de Escola Dominical, Ecônomos, secretários, tesoureiros, delegados aos Concílios, tanto Distritais como Regionaiis e Gerais.

2.De um modo geral, cabia aos homens o sustento da família. Não havia tempo disponível para outra atividade "religiosa" além das que já realizavam na igreja.

3. Os homens representavam, e ainda repraesentam, apenas um terço do rol de membros da Igreja.

4. Os objetivos da Sociedade Metodista de Homens: "Fraternidade e Evangelização", não chegaram a ser desenvolvidos de modo a motivar e desfiar os homens à ação.

 

            SOCIEDADE METODISTA DE JOVENS

 

         As "LIGAS EPWORTH", precursoras das SOCIEDADES METODISTAS DE JOVENS, tiveram seu início a partir de 1898.  Eram sociedades de "jovens" de ambos os sexos, sem limite de idade determinada, com predominância masculina.

            Por ocasião da Autonomia da Igreja Mertodista do Brasil, a 2 de setembro de 1930, eram, aqui no Rio Grande do Sul, 23 Ligas (sociedades) com um total de 826 sócios. Nessa data as Ligas deixaram de existir para surgir a SOCIEDADE METODISTA DE JOVENS, com o limite de idade para os sócios de 11 a 30 anos de ambos os sexos.

            As sociedades, organizadas como FEDERAÇÃO DAS SOCIEDADES METODISTAS DE JOVENS, realizavam seus bem concorridos Congressos Regionais e Distritais. As sociedades realizavam suas reuniões devocionais semanais e outras atividades nas áreas da ação social, evangelização, fraternidade, literatura e recreação.

            As Sociedades Metodistas de Jovens  foram muito ativas, alcançando o seu pico no ano de 1960, com 43 sociedades e 943 sócios.

            A crise ideólogica que afetou a Igreja Metodista nas décadas de 1960 e 1970, mais a erupção do movimento carismático, na década de 1970, tiveram um impacto negativo na juventude da Igreja, tanto que, atualmente (1990), não existem mais "sociedades" de jovens, mas "grupos de jovens", totalizando 13 grupos com um total de 135 participantes.

 

 SOCIEDADE METODISTA DE JUVENIS

 

As Sociedades Metodistas de Juvenis  surgem para atender os interesses e desenvolvimento dos "jovens" de 11 a  15 anos de idade.

Em 1942 organiza-se a Federação das Sociedades Metodistas de Juvenis, no Rio Grande do Sul,com 4 sociedades e 65 sócios. A semelhança dos outros grupos societários, alcançou seu ponto alto em 1960, com 20 sociedades e 354 sócios.  Conta com um Conselheiro Regional para ajudar na orientação de suas atividades.

 

              Sociedade Metodista de Crianças

 

          Não encontramos informação quanto ao início das Sociedades Metodistas de Crianças, aqui no Rio Grande doSul.  O registro que encontramos é de 1910, informando a existência de 10 sociedades com 272 sócias.  Surgiram como meio a dar orientação religiosa e recreação para crianças de 6 a 10 anos de idade. Atividade paralela a Escola Dominical.   Seu maior desenvolvimento deu-se em 1940, quando alcançou o número de 25 sociedades com um total de 608 sócias.

           Com a ampliação do programa de atividades do Departamento Primário da Escola Dominical, as Sociedades de Crianças começaram a declinar, estando atualente praticamente inexistentes.

 

         Natuareza e Fins dos Grupos Societários

                          na

              Igreja Metodista do Brasil

                    1934 - 1970

 

          De conformidade com os Cânones da Igreja Metodista do Brasil, de 1934, em seu artigo nº291, assim se caraterizam a natureza e os fins das sociedades, que permaneceram até oConcílio Geral de 1970:

         

         Sociedades são grupos organizados nas igrejas para o cultivo de experiências religiosas positivas nos domínios da piedade pessoal, da fraternidade cristã, da evangelização, dos trabalhos humanitários, sociais, literário e recreativos. 

         As sociedades se sujeitam na organização e atividades às determinações da Junta Geral de Educação Cristã.

          É de se observar a propriedade dos fins das sociedades tendo em  vista os FINS DA IGREJA METODISTA DO BRASIL, registrados no artigo 3º de sua Constituição, até o Concílio Geral de 1970, que os modificou. 

 

 

          Art.3º da Constituição da Igreja Metodista do Brasil        

                                           1934 -1970

               

         Os Fins da Igreja Metodista são: Proporcionar aos seus membros meios para alcaçarem, pessoal e socialmente, uma experiência religiosa progressiva, inspirada e alimentada por Cristo Jesus; Provmover o culto a Deus, a pregação de sua Palavra e a devida ministração dos sacramentos; manter a fraternidade cristã, e evangelizar o mundo.

             As sociedades foram um dos meios que a Igreja Metodista proporcionou para que seus membros pudessem alcançar, pessoal e socialmente, uma experência relgiosa progressiva.  Outros meios foram: a Escola Domimnical, a Escola Bíblica de Férias, Institutos de preparação de obreiros, livros, revistas, cursos por correspondência, etc.  Providenciou, também, através de Junta Geral de Educação Cristã, a forma de estruturação organizacional das sociedades:

    Uma Diretoria, eleita pelos sócios, constando de:

   Presidente

    Vice Presidente

    Secretário

    Tesoureiro

e dos Superintendentes Departamentais:

    Cultivo Espiritual

    Missões e Evangelização

    Ação Social

    Literatura e Recreação

          Até o Concilio Geral de 1970, que aboliu as três Juntas Gerais da Igreja, a de Educação Cristã foi responsável pela publicação das revistas para os grupos societários, apresentando sugestões de programas devocionais, estudos bíblicos e de temas de interesse dos diferentes grupos, além de noticiário, artigos, contos e poesias enviados pelos assinantes das revistas.

          As revistas eram consideradas como "orgão oficial," dos grupos societários.  A "Voz Missionária" para as mulheres, "Em Marcha" para os homens; "Cruz de Malta" para os jovens; "Flâmula Juvenil" para os juvenís; Bem-te-vi" para as crianças e "No Cenáculo" devocionário para todos.

          A partir de 1967, ano do "Centenário do Metodismo no Brasil", essas revistas deixaram de ser orgão oficial das sociedades, com exceção da "Voz Missionária", para servirem também como revistas da Escola Dominical na Igreja Metodista.

         Com a reestruturação feita pelo Concílio Geral de 1970, as atribuições das Juntas Gerais, Ação Social, Missões e Evangelização, e Educação Cristã), foram assumidas pelo Conselho Geral, tendo um secretário executivo, de tempo parcial, para cada uma das referidas áreas.  Foi assim desfeita a "usina geradora de municiamento" para os organismos da Igreja. A partir de então as Confederações das Sociedades de Homens, Mulheres, Jovens e Juvenis tiveram de lutar para a sua sobrevivência.  

         A revolução ideológica que se desencadeou no país e na Igreja, nas décadas de 1960 e 1970, o "ecumenismo com a Igreja Católica", que acabou esfacelando a "Confederação Evangélica do Brasil", da qual participavam as Igrejas:Congregacional, Episcopal, Metodista, Presbiteriana e Presbiteriana Independente, e o movimento carismático da década de 1970, seguida da "implantação", em 1983, em nossa Segunda Região Eclesiástica, da "Teologia da Libertação", inserida no "Plano de Vida e Missão", a organização da Igreja em "Dons e Ministérios", a partir de 1988, abalaram profundamente a vida e ação dos grupos societários.

 

                                                                   Porto Alegre, junho de 1995     

                                                                               João Nelson Betts